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Por que os business cases de produtos médicos costumam ser otimistas demais

Quase todos os modelos financeiros de um produto médico compartilham um ponto cego. Não está nas fórmulas de desconto nem nas projeções de venda: está em como tratam o tempo regulatório. E esse ponto cego basta para que um projeto que parece rentável na planilha resulte, na prática, muito menos atraente, ou simplesmente inviável.

O erro invisível: amostrar o atraso sem conectá-lo ao dinheiro

Os modelos mais cuidadosos já reconhecem que as aprovações da ANMAT ou da ANVISA não chegam em uma data fixa: modelam-nas como variáveis incertas. O problema é que, muitas vezes, essa incerteza fica isolada. Sorteia-se o prazo do registro, mas não se conecta esse prazo ao que esperar custa ao projeto: o capital imobilizado, o colchão de caixa que precisa ser sustentado, as vendas que não acontecem enquanto isso.

Quando o atraso é amostrado mas não é ligado ao fluxo de caixa, o modelo acaba sendo sistematicamente otimista. Não por má-fé, mas por arquitetura: o risco está representado de um lado do modelo e ausente do outro, exatamente onde se decide a rentabilidade.

Por que importa: o tempo regulatório é custo de capital

Em um projeto medtech, cada mês de atraso regulatório é um mês de investimento imobilizado e de receitas que não chegam. Conectar esse tempo às finanças pode mudar a magnitude do resultado de forma substancial e, nos casos de portfólio mais sensíveis, até inverter o sinal da decisão: o que parecia conveniente deixa de ser quando o risco regulatório entra na conta.

O que fazer: um único modelo que conecte fórmula, custo, finanças e mercado

A saída não é acrescentar outra planilha, mas integrar. Em vez de um caso “médio”, convém simular milhares de cenários e olhar a distribuição completa: a probabilidade de o projeto ser rentável, o pior caso, e quanto valeria reduzir a incerteza antes de comprometer capital. E convém que um só modelo conecte a decisão técnica (qual formulação, a que custo) com a financeira (qual rentabilidade, com qual risco) e com a comercial (como o produto é adotado, como a concorrência reage, em que ordem convém entrar em cada mercado).

Essa integração é o que separa uma projeção que tranquiliza de uma decisão que resiste ao escrutínio de um investidor ou de um comitê técnico.

O enquadramento

Esta abordagem é prospectiva e se apoia em premissas declaradas, calibradas com dados reais à medida que aparecem. Não promete certeza: oferece uma forma honesta de decidir quando ainda não se sabe tudo, que é exatamente a situação em que se decide um lançamento.

Se você está avaliando um lançamento, é assim que trabalho a decisão:Avaliação de viabilidade e estratégia de lançamento →

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